quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Maurício Ferraz, gerente da Central de Serviços do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), comenta sobre a cadeia produtiva de frutas e as estratégias para aumentar o mercado internacional dos produtos brasileiros.
Gostaria que o senhor comentasse brevemente sobre o panorama atual do setor brasileiro de frutas. Quais são os volumes de produção e de consumo nos mercados externos e internos?
O Brasil produz hoje 43 milhões de toneladas de frutas tropicais, subtropicais e de clima temperado, proporcionando ao país uma grande diversidade de frutas o ano inteiro, muitas delas exclusivas da região. Devido essas características naturais o país se destaca internacionalmente como grande fornecedor de frutas frescas e processadas. Somos o maior produtor mundial de laranja, mamão e limão Tahiti, além de produzir 60% de todo o suco de laranja exportado no mundo.
Mas apesar de toda essa produção, nosso interno ainda é relativamente baixo, quando comparado com a média de consumo dos países da União Européia. Enquanto o brasileiro come em torno de 62 quilos por ano de frutas frescas, o europeu consome um pouco mais de 100 quilos por ano, volume recomendado pela Organização Mundial de Saúde.
Quais os principais fatores a serem melhorados dentro da cadeia para aumentarmos a produção e o consumo? Qual o papel que um bom sistema logístico tem dentro da cadeia?
Acredito que o primeiro passo é reduzir as perdas, que podem chegar a 40% do que é produzido. Isso pode ser alcançado com melhoramentos na logística de transporte, incluindo as benfeitorias de infra-estrutura necessárias para um bom escoamento da safra, e na cadeia de frio da produção ao consumidor final. Vale lembrar que o melhor momento da fruta é no dia da colheita, depois disso o que precisamos é preservar a boa qualidade do produto, ou seja, se colhermos um produto ruim jamais vamos melhorá-lo, e se colhermos um bom produto, temos que trabalhar para preservá-lo.
É muito comum ouvirmos elogios de estrangeiros às frutas brasileiras, algumas delas totalmente desconhecidas desse público. Que medidas o setor realiza para aumentar o conhecimento internacional sobre os produtos brasileiros e o aumento de participação no mercado externo?
Em 2008 foram exportadas 888 mil toneladas de frutas frescas, o que equivalente a US$ 724 milhões. As principais frutas exportadas foram uva, melão, manga, maçã, limão e melancia, sendo todas que fecharam o ano com saldo positivo. A União Européia continua sendo o maior comprador de frutas brasileiras, representando 76% das exportações. Já as frutas processadas renderam US$ 2.4 bilhões. Os principais produtos exportados foram o suco de laranja e a castanha de caju, no entanto, em termos de crescimento, os sucos de frutas tropicais e o caso suco de laranja do tipo não concentrado foram os que apresentaram maior desempenho.
Para promover este setor em ascensão, o Ibraf e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) desenvolvem, desde 1998, o Projeto de Promoção de Frutas Frescas e Processadas denominado Brazilian Fruit, com o objetivo de divulgar a qualidade e a diversidade das frutas brasileiras no mercado internacional.
Há algum nicho específico, algum país ou região do globo que tenha interesse e gosto mais acentuado por determinada fruta?
Na verdade o que notamos é que os grandes compradores mundiais, Europa e Estados Unidos, pouco conhecem sobre as frutas tropicais ofertadas pelo Brasil e que campanhas de marketing trazem resultado, pois fazem com que os consumidores conheçam e provem frutas diferentes das tradicionais consumidas nestes mercados. Muitos dos compradores se espantam quando descobrem que o Brasil pode fornecer também frutas temperadas, pois acreditavam que o país não as produzia. Podemos concluir então que não existe um interesse por determinados sabores e sim uma curiosidade para degustar novas frutas.

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